domingo, 26 de setembro de 2010

Carta de fora do trilho

Ouço o barulho dos seus passos e logo você abre a porta da minha casa. Meu coração passa a pulsar como um rock bem pesado de batida perfeita. Em dois segundos nossos perfumes se misturam e o ambiente ganha um cheiro único, extremamente intenso. Com um simples toque me vejo a delirar e percebo que o significado etimológico de delírio nunca coube tão bem (sair do trilho da realidade). Dicionário nenhum descreve o que sinto quando você me diz aquelas três palavras (eu te amo) e é nessa falta de exatidão que quero me afogar.

Não existe motivo e não precisa de justificativa para estar com você. Nada no mundo equivale a estar fora do trilho e é lá que quero permanecer o resto da minha vida, apenas te amando nesse delírio inexato e prazeroso.

Eu também te amo meu amor.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Demônios em meu pai



Os monstros cruelmente doparam meu pai. Ele agora diz amar esses demônios que estão ao seu redor e me deixou totalmente sozinho como uma criança que conhece o sofrimento de uma guerra sem saber o porquê dela ocorrer. Minha dor é agonizante e a felicidade fica cada vez mais no passado. Minha vida agora é olhar os segundos correrem.

Lembro-me muito pouco do ex-bom moço que era, mas foi o dono dos meus sorrisos mais sinceros, foi o baú dos meus segredos, a ele cada sorriso era especial, cheguei a ver dias de sol em meio a um grande temporal e recriamos um mundo só nosso.

Quando ele se entregou ao satã, ganhei uma dose que mistura pena e nojo de sua pessoa. Agora vejo o horror queimando no seu cérebro e não posso fazer nada para mudar isso. Não tem volta para esse agora velho que espera a morte chegar recordando que não viveu como sempre quis por conta de um medo besta de ser quem ele era.

A vida para ele é uma grande tortura diária e a única solução parece à morte. Não quero ver meu pai sofrer com tamanha intensidade e seu assassinato seria uma ajuda que eu poderia lhe dar antes que os demônios assumam seu corpo inteiro.