terça-feira, 31 de agosto de 2010

“Ontem me lembrei de você enquanto o efeito químico subia e senti a dor de crânio como um choque elétrico. Resolvi então escrever um texto que originalmente se chamaria o homem-monstro-eu, mas o eu acabou por não ser aceito”

Homem-monstro

As pessoas estão se afastando enquanto me aproximo. Elas temem a verdade e odeiam o amor. Pateticamente ensaiam sair da lucidez, mas nunca conseguem. Treinam sofrer, mas não sabem o que é isso.

Hoje percebi que em alguma hora a alma explode e vou vomitar tudo em você. Não me perturbe, pois de você não guardo nada dentro de mim. Minhas atitudes são feitas por impulsos e sou tão sensível que os outros me moldam.

Ao me entregar para alguém é com intensidade, não sou metade eu metade ela, conheci então por isso a dor regada por crueldade. Sei o que é ser cuspido, torturado e julgado. Já chorei demais sem não poder dizer.

Agora que já conhece o monstro, prefiro que vigore seu egoísmo e suma da minha vida. Você não merece minha energia e muito menos minhas palavras, chega!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Guarda-chuva, pipoca e metrô.


Passávamos por toda rua dividindo o guarda-chuva e uma pipoca no caminho até o metrô. Enfim então, vinha o momento mais paradoxal. Contradições do amor que não era o clássico guerra e paz. Logo depois de receber o melhor abraço do mundo te perdia parcialmente de meus olhos, pois meu trem era o de sentido oposto ao seu.

Antes dos trens se cruzarem e eu te perder de vez de vista, te observava com tamanho desejo e você me matava com pequenas olhadas que misturava insegurança, medo e timidez. Nos tirando deste momento intenso, ouvia o barulho do metrô se aproximando e eu constatava que da pipoca só restava a embalagem, o guarda-chuva já estava fechado há bastante tempo e eu já tinha te perdido de vista, mas não dos pensamentos.

Esse mesmo momento se repetiu algumas outras vezes, mas com o tempo nos afastamos, não tendo mais guarda-chuva, pipoca e metrô. Não que isso tenha me abalado, estava convicto que todo aquele amor não podia ser guardado dentro de mim.

É claro que meu palpite não estava errado. A vida só precisava de tempo e foi ele que trouxe você de volta. Tempo tão sábio que nos proporciona um presente onde não precisamos do guarda-chuva, pois não chove mais em nosso caminho, a pipoca agora é acompanhada de um bom filme e agora o seu sentido do metrô é junto ao meu.