quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Guarda-chuva, pipoca e metrô.


Passávamos por toda rua dividindo o guarda-chuva e uma pipoca no caminho até o metrô. Enfim então, vinha o momento mais paradoxal. Contradições do amor que não era o clássico guerra e paz. Logo depois de receber o melhor abraço do mundo te perdia parcialmente de meus olhos, pois meu trem era o de sentido oposto ao seu.

Antes dos trens se cruzarem e eu te perder de vez de vista, te observava com tamanho desejo e você me matava com pequenas olhadas que misturava insegurança, medo e timidez. Nos tirando deste momento intenso, ouvia o barulho do metrô se aproximando e eu constatava que da pipoca só restava a embalagem, o guarda-chuva já estava fechado há bastante tempo e eu já tinha te perdido de vista, mas não dos pensamentos.

Esse mesmo momento se repetiu algumas outras vezes, mas com o tempo nos afastamos, não tendo mais guarda-chuva, pipoca e metrô. Não que isso tenha me abalado, estava convicto que todo aquele amor não podia ser guardado dentro de mim.

É claro que meu palpite não estava errado. A vida só precisava de tempo e foi ele que trouxe você de volta. Tempo tão sábio que nos proporciona um presente onde não precisamos do guarda-chuva, pois não chove mais em nosso caminho, a pipoca agora é acompanhada de um bom filme e agora o seu sentido do metrô é junto ao meu.

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